quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A prostituição é uma profissão?


O projeto que tramita na Câmara dos Deputados, de autoria de Fernando Gabeira (PV-RJ), defendendo a legalização da prostituição foi o tema da enquete lançada no sítio do IHU em 06 de novembro de 2007. Sobre a proposta, 47,37% dos entrevistados se posicionaram totalmente favoráveis.

Os internautas que divergiram desta opinião, votando na opção sou totalmente contrário ao projeto, somaram 27,63% dos votos. Os que afirmaram ser parcialmente a favor da proposta totalizaram 17,11% dos participantes. 5,26% dos internautas são parcialmente contra o projeto. Quem não tem opinião formada sobre o assunto ficou na faixa dos 2,63%.

Ao comentar as opiniões, a internauta Neusa afirma que prostituição não é profissão, não é trabalho. “Deveriam fazer um projeto para acabar com a prostituição. Prostituição é a suprema degradação moral de um ser humano. Um dia, talvez daqui a muitos anos, os humanos se horrorizarão ao lembrarem que nesta terra existiram seres que ao invés de lutarem pela dignidade de seu semelhante ainda se preocuparam em legislar em favor da legalização dos horrores”, completa.

Segundo Ana Formoso, que opinou sobre o tema, a questão é que o projeto não denuncia quem abusa da prostituição, em que condições são obrigadas a viver. “Vocês pensam que todas as mulheres prostitutas fazem porque elas desejam ou existe também uma injustiça econômica ou educacional que leva facilmente a escolher a prostituição como caminho para sobreviver?”, destaca.

Ela enfatiza que o projeto apóia a violência machista utilizando a máscara da defesa da mulher. E que a questão não é a profissão, mas do que continua oculto, ou melhor, o que se pode institucionalizar, porque elas vão ter menos possibilidades ainda de buscar seus direitos.

“Legalizar a prostituição é reconhecer o óbvio. A proibição simplesmente não impede a existência de prostíbulos (como se pode ver, por exemplo, no centro de Porto Alegre), e a falta de amparo legal às prostitutas as leva a ser exploradas e a trabalhar em péssimas condições”, afirmou Jonathan, ao comentar o debate. E destaca: “No ano passado participei de uma pesquisa sobre prostitutas e tive contato com inúmeras mulheres que diziam que gostavam de sua profissão e atuavam nela porque queriam (o que rompe com a imagem idealizada da prostituta que se ‘vende’ porque é pobre ou não tem outras opções de trabalho)”.

Para Jonathan, muitas das mulheres ressaltaram a importância de sua profissão, como atender clientes com deficiências e que, por isto, são impedidos de satisfazer seus desejos sexuais. “No entanto, numa sociedade hipócrita e retrógrada como é o Brasil, temo que a iniciativa de Gabeira não proceda”, conclui.

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